quinta-feira, 9 de abril de 2009

The Milkman of Human Kindness


London - A milkman makes his normal rounds through piles of rubble after an air raid. (1940)





London - a man & his guitar, simplicity and emotion crafted in a perfect song. (1984)

If you're lonely, i will call -
If you're poorly, i will send poetry

I love you
I am the milkman of human kindness
I will leave an extra pint

If you're sleeping, i will wait
If your bed is wet, i will dry your tears

I love you
I am the milkman of human kindness
I will leave an extra pint

Hold my hand for me i'm waking up
Hold my hand for me i'm waking up
Hold my hand for me i'm making up
Won't you hold my hand - i'm making up

If you are falling, i'll put out my hands
If you feel bitter, i will understand

I love you
I am the milkman of human kindness
I will leave an extra pint

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pin-up da semana by Lost in Translation


Nossa colaboradora, nos presenteia esta semana com a arte de Alberto Vargas. Toda a elegância do traço de um craque!
Merci, Amèlie!

Elegia canibal

Vou voltar pra minha terra,
Lá, onde o mal não habita
Escutar o som das águas,
E dormir até você chegar

Mas minh’alma está faminta
E depende de você,
Aceite nossa contradança
Hoje o dia é de onça, seu corpo vai me pertencer

Quem estira o pescoço dos pássaros somos nós,
Só o papagaio voando fugirá,


Cantando até o amanhecer
Cantando até o amanhecer
Cantando até o amanhecer

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sonetos da Alma


Alma Welt (1972-2007), foi uma escritora Gaúcha, morta inesperadamente, e que deixou uma vasta obra, abrangendo sonetos, romances, contos e cujo impacto não deixa de ser assombroso.
A autora, mulher jovem, bela e misteriosa, não se deixava fotografar, somente permitindo a divulgação de seus retratos em desenhos, gravuras e pinturas a óleo de Guilherme de Faria, seu "retratista autorizado", pintor paulista que a ilustrou, prefaciou e editou; e que lançaria no meio artístico aquela que viria a ser considerada por muitos a "última grande lírica do século XX", poeta e musa ao mesmo tempo.


Soneto de Outono

Voltou o Outono e sua quietude
Estação de mortal melancolia
Em minha’alma, malgrado a juventude
Que afinal ainda me anima, serve e guia.

Lanço quadros, em ouro matizado
De vermelho, mas em telas abstratas,
Abstraídas folhas, cataratas
De cores, tons, e frio antecipado.

É o Outono nórdico, dentro em mim,
Pois que aqui a cidade se acinzenta
E dói como um cristal dentro de um rim

Que urina sobre a tela em ouro e sangue
Produzindo esta matéria densa e lenta
Onde a alma chafurda como em mangue

Alma Welt

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Our Heroes

A man and his cap

Leonard Cohen has been one of the most important and influential songwriters of our time, a figure whose body of work achieves greater depths of mystery and meaning as time goes on.

The power of his songs has no parallels in their beauty and range. He has relentlessly examined the largest issues in human lives, and although the answers for common mortals like us are mostly not clear, we travel with him in his personal journey, still looking for Suzanne, going deep down into the human essence.
.
To be able just to rub the edge of his mantle, is a everlasting pleasure and one of the reasons why his songs never lose their overwhelming emotional force.
-x-
"And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she lets the river answer
That you've always been her lover
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you've touched her perfect body with your mind."

Música para um dia chuvoso



O tempo melancólico fez com que hoje de manhã começasse o dia escutando um jovem talentoso, bonito, morto precocemente, dono de uma voz pessoal + arranjos sofisticados, que ficou praticamente desconhecido por mais de duas décadas, afinal, quem foi Nick Drake?

Não sei, mas que a sua música nesses dias grizes alcança uma textura e uma beleza triste que toca lá no fundo e faz sentido, isso é inegável.

Boa chuva.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Calma, meu anjo!


A riqueza de eventos que podem suceder dentro dos nossos coletivos não cansa de me surpreender e, às vezes, compensa qualquer agrura pela qual nós, usuários, tenhamos que passar.

E não é que ontem, sacolejando na volta do trabalho, com o corpo alquebrado e a alma decaída, um evento em especial não pôde deixar de me fazer rir.

A situação que se deu era a seguinte, quase chegando em casa, o ônibus pára fora do ponto para recolher uma passageira, que, efetivamente sobe, já aos gritos, e dirige-se ao pobre do motorista com expressões pouco nobres e alvissareiras.

O motorista contesta com igual cortesia, a troca de elogios prolonga-se e a menina, do alto dos seus 20 aninhos, diz:

- Tem que parar, tu tem que parar quando eu fizer sinal, tu também parô pro outro fora do ponto que eu vi!

- xyz@grrrnhemnhem##$@%**

- E vai te ferrar você, seu mané!

- ¨”!@#$%**+ngenhanerenh*&¨


O trocador, parecendo o William Bonner, aparta daqui, aparta de lá, dá um minuto de réplica para um, 30 segundos de tréplica para a outra e eu saindo do meu estado cataléptico pensando – Pombas! Está reclamando do que se o ônibus parou para te apanhar, e ainda por cima fora do ponto? Afinal, será que eu perdi alguma coisa ou essa discussão é completamente sem sentido?

Além de não estar entendendo patavinas já imaginava a via crucis que me acompanharia até o conforto do lar, quando o cidadão do meu lado, um tipo quarentão jovial e com uma cara jocosa, interrompe a discussão e exclama:

- Calma meu amor, calma meu anjo!

A menina que, por um segundo, não sabe se ajeita o cabelo ou se segue na discussão, opta afinal pela última opção e prossegue na batalha.

- Calma meu amor, calma meu anjo!

- Não fica assim não, você é tão bonita, você é linda!

A interlocutora dá sinais de leve ansiedade, hesita, mas segue inabalável na sua cruzada contra os mouros, digo, contra o motorista.

- Calma meu amor, calma meu anjo!

- Esquece isso minha linda, isso não vale a pena! – Diz meu companheiro de assento, com um leve sorriso nos lábios e virando-se para mim com um olhar gaiato como quem diz: - Mandei bem, né?

A discussão parece ir diminuindo, a menina passa a roleta e se senta na nossa diagonal direita. Entretanto, creio que deveria ser ariana ou escorpiana, porque definitivamente era mais obstinada do que eu e segue tentando atingir o motorista de todos os modos, agora, tricotando com o trocador sobre – Aquele cretino blah blah blah, como se o condutor ali já não estivesse.

E foi então que, o já famoso bordão, dessa vez foi repetido em uníssono, por todo o ônibus, que feliz e contente bradou: - Calma meu amor, calma meu anjo! - E não satisfeitos: - Você é linda!

Bom, cortando em miúdos, a menina ruborizada finalmente calou-se e o show parecia ter terminado, quando meu companheiro de assento se levanta abruptamente para saltar, se aproxima dela, continua tecendo elogios à sua formosura de forma melosa e não satisfeito saca um filhote de poodle não se sabe de onde e o entrega para a megera domada que o olha incrédula, ato seguido salta do ônibus e fica mandando beijinhos do lado de fora.


Mais estupefacto fiquei eu, naturalmente, com o descortinar de uma cena tão Feliniana diante dos meus olhos. O fato é que a morena saltou comigo e ficou a brincar com o cachorrinho, alheia aos disparates recém cometidos e visivelmente feliz.


Que o cara é gênio e tem experiência no trato feminino não se discute, agora, uma coisa segue me intrigando e não é o motivo da discussão...de onde diabos ele tirou aquele cãozinho??
 

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