sexta-feira, 17 de abril de 2009

If


If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too:
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don't deal in lies,
Or being hated don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream and not make dreams your master;
If you can think and not make thoughts your aim,
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same:
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build'em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings,
And never breathe a word about your loss:
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings---nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much:
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!

Rudyard Kipling


Food for thoughts mates, food for thoughts.
Weekend's ahead and nothing else matters.
And now let me go lads, there's a commentator awaiting in the bar round the corner.
Can't you hear the pints clashin'? Cheers.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A arte de ser seduzido #1


A sedução é algo realmente impressionante, se é bem verdade que nem todos levam jeito para a coisa, não existem regras e cada pequeno detalhe pode fazer a diferença: um olhar, o jeito de sorrir, o atuar e o não atuar podem ser motivo para enredar o mais desavisado dos homens. É meu amigo, quando você viu a sua vaca já foi pro brejo e não há trator que a reboque de lá.
Kim Falcon, a beldade aí acima, é uma pin-up profissional, e como tal, trabalha a sedução em gênero, número e grau; e nos recorda como Deus foi generoso ao criar a mulher. E pensar que tem gente que não gosta...
Apenas divagações de uma tarde de quarta-feira. Onde está meu marcapasso?
Fotografada por Darkman MUA Marissa Freeman
Vestida por Stopstaringclothing.com

Ser ou não ser


O que tem Manchester de especial que a converte em um berço de gente tão talentosa? Que os seus ares cinzentos e industriais fomentam a criatividade não há dúvidas, basta dar uma olhadela em alguns dos nomes mais famosos da cidade: Shelagh Delaney, Conan Doyle, Buzzcocks, The Smiths, The Stone Roses, Joy Division, The Fall, John Cooper Clarke, Pete Postlethwaite, Ben Kingsley, Ian McKellen, you name it, em qualquer campo, literatura, teatro ou música, tem gente do melhor pedigree.

Ontem fui precisamente ver o último filme de um de seus filhos de que mais gosto, Mike Leigh. O diretor de “Naked” nos propunha agora ser “Simplesmente Feliz” (Happy-go-lucky no original).

Difícil descrever a sensibilidade contida nesse filme, e com isso digo que a história de Poppy, a adorável professora primária do norte de Londres, tão brilhantemente interpretada por Sally Hawkins (que eu não conhecia e me apaixonei de imediato), me causou uma sensação de prazer imensa.

No filme, Poppy é de um otimismo à prova de balas e encara situações cotidianas, onde a bílis de qualquer mortal se revolveria no estômago com direito a impropérios de todo tipo, através de lentes cor de rosa e com um bom humor que realmente, a princípio, irrita.

'Ora bolas. Nem tive tempo de me despedir dela' - Exclama Poppy sorridente, ao notar que sua bicicleta havia sido roubada, logo no começo do filme. Será que escolhi o filme certo? Essa personagem está meio tatibitati demais - pensei.

Entretanto, com mão certeira, Mike Leigh vai aos poucos construindo mais uma história sobre o cotidiano de gente comum, interpretada com carinho por atores excelentes. O que tinha tudo para ser apenas uma comédia sentimentalóide, emociona e leva a reflexão sobre como queremos encarar a vida e o quanto estamos dispostos a tentar de verdade ser felizes.

Destaque para Scott, um show de interpretação de Eddie Marsan, que faz o contraponto ácido e amargo à personalidade aparentemente poliana de Poppy e que é responsável por diálogos desde já memoráveis.

Se é possível ser simplesmente feliz? O exercício não é fácil mas não custa tentar, estamos focados nisso.
En-ra-ha! En-ra-ha!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Vamos nessa

Já viu o dia lindo que está fazendo? Tome a sua dose diária de música e boa terça!


segunda-feira, 13 de abril de 2009

Fumando cerejas


Fumar cerejas com você me faz sonhar,
Ouvindo jazz a noite inteira,
Contando estrelas num abraço apertado e
Saudando a silhueta na parede,
Do seu corpo a me enroscar

Você me morde, me deixa roxo,
O seu rosto se ilumina, no crepúsculo da sala de estar
Onde os gatos brincam, e o tempo já passou.
O seu sorriso me acompanha até o elevador,
E já fico com aquela vontade de querer voltar

Mas, enquanto o amanhã não chegar,
A sua imagem é só o que me restou,
Copacabana é linda e me convida a caminhar.
Andando tonto pela areia, até em casa,
Eu só penso em chegar logo pra dormir, descansar
E lembrar de você, e lembrar de você...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Arrumem os móveis da sala


Outro dia tive um duplo prazer, ter comparecido, depois de anos de ausência devido ao exílio, ao aniversário do Comandante Che Guevara por excelência, meu querido camarada e parceiro Dimitri BR e o de, nesta ocasião, ter finalmente adquirido o segundo disco, recém lançado, de uma banda que me conquistara no início do ano, Luisa Mandou Um Beijo.

Como já comentei aqui, tive o primeiro contato com eles na última edição do Humaitá Pra Peixe e saí do show de alma lavada, contente por ver que a minha terra ainda é capaz de produzir boas surpresas no quesito música (alguém duvida?). Ainda mais dentro de um segmento que me é caro e parece pouco associado aos ares tropicais das nossas praias, o chamado rock independente, mas que aqui consegue fundir os dois conceitos à perfeição.

Pois bem, o segundo disco do sexteto carioca não é bom, é excelente e melhor produzido e com os arranjos e letras muito mais trabalhados do que no primeiro, também entitulado Luisa Mandou Um Beijo (e que já era muito bom).

Das leves guitarras melodiosas, passando pela potente cozinha e pelo trompete que é a marca registrada da banda (e que está muito melhor empregado nesta nova bolacha), até chegar às letras criativas e que fogem do lugar comum, está tudo lá.

O disco abre com a deliciosa "Borboleta Imperial", talvez a faixa que mais remeta ao primeiro disco, e que dá vontade de sair correndo por um jardim multicor em busca de Lepidópteros pra alegrar a sua vida.

As faixas "Memórias da Praia", com a participação do Ian Curtis carioca nos backings (sinto decepcioná-los meninos, não sou eu) e "Peixe Pequeno", nos transportam para essas manhãs de sol tão gostosas, para se desfrutar sem pressa e com quem se quer bem. Cenas cheias do espírito das nossas gentes, bem no clima do disco.

"A Odalisca e o Pirata", repleta de charme carioca a la Hermanos mas sem perder a personalidade (dá até pra visualizar um Amarante sacodindo o esqueleto animadamente assoviando), é perfeita para se cantar abraçadinho no meio da muvuca dos blocos dos carnavais que hão de vir. Não tem erro moço.

Os destaques vão para "Na Capital", "Cosquinhas de Manhã" e "O Maracá". A primeira, uma acre-doce ode urbana, convida todos a resisistir, tentar ser feliz e a desfrutar de um lindo dia de Sábado, ainda que as atmosferas chuvosas e os tons sombrios nos persigam. A segunda fala, como não, de amores e dessa eterna relação amor-ódio que permeia certas relações em muitos casos e a última faixa, que encerra o disco de forma magistral, nos lembra que nunca é tarde pra chegar na festa proposta por Luisa, um cenário solar onde pode-se rir, chorar, brincar, amar e receber beijos, doce como esse ao pé do ouvido.

Depois desse alegre passeio, ainda tem uma surpresinha escondida...uma amostra da nossa música preferida, "Homem Azul", que ainda não entrou nesse disco.

Que venha o céu lilás.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Discos, Torak, Guitarras e outras estórias


Hoje, lendo o artigo que traduzi abaixo, não pude deixar de me lembrar de um longínquo tempo onde dois garotos, um mais velho e outro mais novo, brincavam e eventualmente descobriam música juntos.
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O mais velho já se achava o rei do pedaço e era obcecado por música, o mais novo parecia não ter muito interesse pelo tema mas escutava resignado ao discurso inflamado do outro e resistia às sucessivas sessões de discos estranhos, mais interessado que estava em brincar com o seu He-man.
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O tempo passa e, contrariando as expectativas, o mais novo se torna um excelente guitarrista, além de um respeitável pai de família. O outro, bem, dizem que virou crítico musical, desatualizado mas ainda radical.
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A amizade? Essa continua lá, e eles ainda são uma gangue, dessas coisas que a gente sabe que vai ser pra vida toda.

Esse artigo vai dedicado ao meu guitar hero preferido, e um pouco pra mim também, sabemos bem o que se sente (verdade?); e a tão bons momentos e lembranças ao longo da vida. De alguma forma, me sinto realizado quando aquela guitarra toca e sei que a próxima geração promete, a estória se repete...among friends, from father to son.


Billy Bragg - Artigo publicado na Q Magazine Inglesa

Existe alguma coisa com relação ao ato de se ter uma guitarra pendurada na altura da virilha que é atraente para meninos durante a adolescência. O garoto de 14 anos que morava na casa geminada ao lado me ensinou a tocar durante o verão de 1974 e a partir desse dia éramos uma gangue, encarando as águas agitadas da adolescência juntos, protegidos pelo nosso compromisso um com o outro e com a música que nós amávamos. Após recrutar um baterista, que vivia um pouco mais adiante na rua, nós três passávamos os anos esperando pelo surgimento do punk, tocando canções dos Stones, The Who e The Faces, na sala detrás da casa dos meus pais.

Meu pai apoiava nossos esforços, coisa surpreendente para ele. Nascido em meados da década de 1920, a sua própria adolescência tinha sido dominada pela guerra. Já em seus trinta quando Elvis apareceu, o rock'n'roll veio tarde demais para ele. Como resultado, ele não tinha interesse por música pop, nem entendimento de como ela poderia transportar seu filho, da rotina mundana de casa e exames para um mundo de fantasia onde eu e meus amigos éramos heróis com guitarras penduradas abaixo da linha da cintura.

Eu não posso deixar de simpatizar com a sua situação ao me deparar com meu próprio filho de 14 anos absorto em outro jogo de luta no seu Xbox 360. Claro, que não há nada que realmente me impeça de pegar o outro joystick e lutar ao seu lado, enquanto ele batalha um pacto que os impeça de ativar Halo, mas, para ser honesto, não é a minha. Quando o primeiro Nintendo Game Boy tornou-se disponível na Grã-Bretanha, eu já estava bem avançado nos meus trinta. Vejo esse gadget como um brinquedo, ao invés de um meio pelo qual escapar para um mundo de fantasia com seus amigos.

A chegada do Guitar Hero III desfocou esse entendimento. Aqui estava algo que o pai podia compreender, algo que ele poderia até dar o jeito de entender, se lhe fosse explicado lentamente. Na verdade, por um instante, o meu dedilhado me deu a vantagem até o garoto entender como eu fazia isso para em seguida arrancar, me deixando preso no modo iniciante, anunciando meu fracasso através de “Fora da Escola".

Então aconteceu algo milagroso. Enquanto eu estava longe em turnê, alguns dos seus amigos aficionados pelo Guitar Hero apareceram com as suas novas guitarras elétricas, querendo testá-las em um dos meus amplificadores. Era como se tivessem colocado um verdadeiro rifle do Corpo das Nações Unidas nas suas mãos e lhe enviado para a batalha contra as inundações. Ele rapidamente começou a se entusiasmar por tocar guitarra e, fundamental, isso lhe foi transmitido pelos seus pares, não por seus pais.

Durante as férias de Verão, sua forma de tocar foi ficando cada vez melhor. Eu mostrei para ele algumas posições fáceis e apresentei ele aos Ramones. Logo, ele e seus amigos estavam tocando "Blitzkrieg Bop" na garagem. Eles têm amplificadores pequenos para praticar e plugam o vocal através do meu velho Fender Twin, que prestou serviços excelentes no seu tempo, mas ultrapassava seus momentos de ostracismo como um obstáculo a ser negociado, enquanto eu descarregava a mercearia do carro.

Agora a sua música enche a casa. O que inicialmente soa como uma grande vespa zangada aprisionada em uma lata de biscoitos, se transforma nele praticando os acordes de "Another Girl, Another Planet" no quarto de cima. Às vezes, enquanto eu vou desligando as luzes e fechando as janelas como a última coisa da noite, escuto ele tocando uma melodia na sua guitarra elétrica desplugada. E, de alguma forma, ele parece ter crescido seis polegadas desde que pegou a maldita coisa.

Ele raramente liga a Xbox estes dias, ao invés disso, tem grande prazer em me mostrar o último riff que aprendeu. Depois que um de seus cúmplices lhe ensinou a tocar uma introdução rudimentar do Chuck Berry, passei algumas horas tocando guitarra base para ele, enquanto ele praticava a sua pegada Johnny B. Goode. E quando o grande homem em pessoa tocou num festival próximo, nós fomos juntos, pai e filho, de pé no meio da multidão, numa noite escura de sexta-feira prestar a nossa homenagem ao Chuck Berry, um filho de meados da década de 1920, exatamente como o meu pai.
 

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