terça-feira, 9 de junho de 2009

Caiubinni ou como se tornar italiano em dois dias


Se minha família fosse de origem Italiana, eu me chamaria Caiubinni (frùnni blu em dialeto Calabrês e blu weraq em Siciliano) e certamente seria proveniente da comuna de Condofuri na Calábria ou de Siracusa na Sicília, como mínimo.

A verdade é que sempre tive cara e alma de carcamano, meu pai, por exemplo, era a cara do Al Pacino. Apesar de Piauiense, reza a lenda familiar que era descendente de Libaneses e Franceses, o que explicaria os rasgos mediterrâneos. A verdade é que ele nunca ligou para essa história de genealogia, quando eu tentava satisfazer a minha curiosidade de criança, ele me dizia: - Eu sou Brasileiro. Va bene papá, va bene.

Por parte de mãe, apesar da adoção de um sobrenome Tupi (restou-me o instinto canibal), na origem éramos todos Portugueses, de gente do Porto que aqui chegou nas primeiras naus e que teve como maior mérito (para mim) o fato de ter sido responsável pelo plantio da primeira videira em solo Americano (isso explica tudo), estando a história familiar amplamente documentada na Genealogia Paulistana. Digo éramos, porque depois de 500 anos não há sangue português que resista e se eu fizer um exame de DNA, certamente encontrarei até macaco aqui dentro, o papai é que estava certo.

Quando eu estava em Barça, fiz uma pesquisa para ir além e descobri que na verdade a linha materna descenderia de cruzados Austríacos que acabaram por se fixar na Península Ibérica para ajudar a Santa Sé a derrotar os mouros e lá ficaram.

Sei não, com essa minha cara de mouro o tiro deve ter saído pela culatra e algum antepassado meu levou bola nas costas. O fato é que tenho uma cara mediterrânea à prova de qualquer suspeita e na Espanha, se eu não abrisse a boca, diriam que eu seria mesmo de Ronda ou Jeréz de la Frontera. Não era incomum que Marroquinos se dirigissem a mim em árabe.

Recentemente surgiu a vontade de pesquisar mais sobre as minhas origens, estou convencido que uma pisca de sangue italiano ao menos eu devo ter. Senão, como explicar essa identificação e um ser tão ansioso e passional como eu? No principio achava que era culpa de ser escorpiano, mas temo que não, não me considero um escorpiano típico, mas poderia perfeitamente ser um italiano típico. É comer um bom prato de pasta al dente ou ver documentários sobre a Máfia que chego até as lágrimas de emoção. Desafetos eu não tenho nenhum e se tenho algum tudo se resolve rápida e silenciosamente. Podem perguntar, todos me tem apreço.

Enfim, sempre me identifiquei com o estilo de vida italiano (deve ser culpa do Mastroianni) e, esse fim de semana, tive o prazer de comprová-lo e o privilégio de compartir momentos de intimidade - con la più bella donna del mondo - no seio de uma família para lá de Italiana. Teve tudo o que se pode esperar de um encontro em tais circunstâncias, bom papo, bom vinho, boa comida, cantoria, choro, risos, beijos, abraços e inacreditáveis revelações. Por exemplo, descobriu-se nesta ocasião que o primeiro antepassado da família em questão, que pisou no Brasil, teria vindo fugido da Itália por haver matado a primeira mulher e o amante, ao encontrá-la com este na cama.

- ma non è vero, che vergogna per la nostra famiglia!!
- Vergogna, vergogna!!

Sinceramente não sei por que o susto, eu não teria feito por menos, afinal ele estava no seu direito de macho, Italiano, e, sobretudo, cornutto. Ficou-me apenas a curiosidade quanto ao método empregado (é preciso reciclar-se, vocês sabem). Há que se defender a honra da família, é como eu sempre digo. E agora é melhor eu me calar que eu não quero ter mais problemas e, até porque, tenho que afiar uns objetos que essa semana eu tenho um almoço importante e quem leva os talheres sou eu.

Pesce in mano e zitto ragazzi.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pernalonga


Nunca irei me esquecer da experiência que foi pisar por primeira vez em um mercado Espanhol. Dentre as muitas coisas que me chamaram a atenção estava a variedade das azeitonas, a qualidade e a diversidade de peixes e frutos do mar (nem parece que somos um país com 8.000 km de costa, perto da Espanha nossos peixes e frutos do mar dão pena), a beleza, a arrumação e o preço das frutas e, principalmente, a disposição das vitrines dos açougues.

Durante toda minha estadia em Barcelona vivi no mesmo lugar, ali, bem ao lado do charmoso Mercat de Sant Antoni, ao lado do Raval e distante apenas dez minutos de caminhada das Ramblas. Desnecessário dizer que um dos meus programas preferidos era exatamente ir ao mercado sob qualquer pretexto, para sentir, comprar (eventualmente beber) e observar.

Que os Espanhóis não são lá muito sutis e que o seu modo de ser é um pouco bruto para padrões Brasileiros eu já sabia, afinal estava na terra do drama por excelência e de emoções mais que intensas (afinal, essa é a graça dos Ibéricos), mas confesso que nada me preparou para a visão de um açougue Espanhol.

Dar de cara com uma infinidade de tripas adornando o mostruário, seguidas de cabeças de carneiro e de porco lado a lado e a me encarar me revirava o estômago a principio. E o que dizer então dos pobres coelhinhos? Ali, ornamentando o display com seu olhos esbugalhados, dentes salientes e totalmente despidos de seus casacos de pele. Brrrr, os imaginava tal qual Roger Rabbit me pedindo ajuda e dizendo pppplease!

Onde está o frango da Sadia? - Gritava por dentro. Aquela embalagem impessoal, higienizada, praticamente artificial e, o que é mais importante, sem membros desnecessários à vista. Procurei, procurei, mas não achei nada que chegasse nem perto. Esto es España! Y hay que ser un hombre chavalito…até para ir ao açougue.

Eu, por diversas vezes quis ajudar os pobres coelhinhos e dar-lhes um fim de vida mais digno, levando-os para casa e fazendo um prato que os enaltecesse e, claro, que me satisfizesse. No entanto, a turma lá de casa era meio frouxa e toda vez que eu cogitava a hipótese, era um chororô miserável.

– Eu não tenho coragem. Dizia uma.

– Tadinho do bichinho, o Senhor é um homem sem coração. Exclamava o outro.

E eu puto sem poder preparar uma coisa que fosse minimamente diferente.

Tá bom, tá bom, eu confesso, uma vez eu fiz coelho, não falei para ninguém o que era e me esbaldei. Depois quiseram me matar, mas aí já era tarde. Até na cozinha temos que ser maquiavélicos às vezes.

Estou contando tudo isso porque esse fim de semana me toca subir a serra e fui comunicado que teremos coelho. Sim senhor, uma beleza, e ainda por cima preparado por um chef Siciliano e sem frescura (por isso mesmo). Até porque é membro honorário da Cosa Nostra e temido até mesmo por seus rivais da Camorra, da Sacra Corona Unita e da ‘Ndrangheta, o fato é que ele inegavelmente impõe respeito. Tenham certeza de que se eu tiver que me ajoelhar e beijar a mão do Capo o farei sem pestanejar e de forma quase religiosa, sentimental até.

Mas sim, o coelho. Gosto muito de coelho, embora ache que exista um número significativo de pessoas que relutam em provar essas requintada iguaria.

O coelho pode ser de monte, caso em que a carne é mais escura e seu sabor mais forte, ou pode ser de criadouro, nesse caso sua carne será rosa e de sabor mais delicado.

Geralmente prefiro coelhos de 1,5kg.até 3kgs. É uma carne versátil e que admite diferentes preparações.

Hoje trago-vos uma versão super fácil e não menos gostosa de coelho com pasta, que é exatamente o que se pretende fazer neste fim de semana, vamos aos ingredientes.

Ingredientes (4 pessoas):

Um coelho médio
1 Cebola
1/2 litro de molho de tomate
1 colher de chá de páprica
250 grs. massa Pappardelli
1 copo de vinho branco seco
50 grs. baby cenoura (cozido)
3 dentes de alho
sal
salsa

Primeiro, corte o coelho em pedaços, marinando-o com uma mistura de alho, sal e salsinha. Deixe repousar 3 horas.

Em uma panela, coloque 3 colheres de azeite virgem. Doure o coelho até que fique com uma cor dourada (vá ser redundante assim...).

Adicione a cebola picada em pedaços pequenos.

Adicione o molho de tomate e em seguida a páprica.

Cubra com vinho e deixe ferver até ficar macio. Isso dependerá do tipo de coelho que usar e do seu tamanho. Se for pequeno e de criadouro 25 minutos são suficientes.

Próximo ao final do cozimento, adicione as cenouras. Enquanto isso vá preparando o macarrão. Após este tempo, escorra a massa e adicione ao cozido, para que incorpore todo o seu sabor e cor. O resultado é um prato "contundente", ideal para um dia frio, como o de hoje.

Humm, espero que experimentem, eu já estou salivando.

Falando nisso, hoje comi um bacalhau que estava de morrer, acompanhado de uma bela taça de vinho....mas isso é outra história.

Bom fim de semana antecipado, o frio e a boa companhia me esperam e eu mal posso esperar.

Até mais.
Singing: no, no, no, it is murder...do you know how animals die...

La Lucha Continua!

Uma excelente notícia da semana, sem dúvidas, foi a revogação, por aclamação (Tio Sam incluído - o que não faz o tempo), da resolução de 1962 que expulsou Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Se Cuba volta ou não à OEA eu não sei, o governo cubano já deu declarações no sentido de que não tem a menor intenção de fazê-lo.
“Cuba não pediu, não quer voltar à OEA, cheia de sua história tenebrosa e entreguista, mas reconhece o valor político”

Fidel, evidentemente, reiterou a posição ao dizer que a OEA é cúmplice pelos crimes cometidos contra o seu país. Agora, a melhor declaração de Fidel foi a seguinte - respondendo a um comentário proferido durante a reunião da OEA de que a situação em Cuba estaria tão feia, mas tão feia que até as universitárias estariam se prostituindo. – Muito ao contrário, a situação está tão boa, que até as putas estão se tornando universitárias. É camarada Fidel, você fará muita falta.

La Lucha Continua!!

'Guitar Hero 5' traz 83 bandas para enfrentar o 'Rock Band: Beatles'

A Activsion tem um desafio e tanto no próximo mês de setembro, quando serão lançados o "Guitar Hero 5" e o "Rock Band: Beatles". Como enfrentar uma concorrência que tem exclusividade da maior banda de todos os tempos? Com um elenco estelar de 83 bandas, que vai de Bob Dylan e Johnny Cash a Kaiser Chiefs e Muse.

O game trará um modo "Party play", que permitirá uma banda com qualquer formação. Três vocalistas e um guitarrista? Sem problema. O jogo será lançado no dia 1º de setembro para PS2, PS3, Wii e Xbox 360. Confira a lista completa de artistas que terão canções no GH5.

# 3 Doors Down

# A Perfect Circle

# AFI

# Attack! Attack!

# Band Of Horses

# Beastie Boys

# Beck

# Billy Idol

# Billy Squier

# Blink-182

# Blur

# Bob Dylan

# Bon Jovi

# Brand New

# Bush

# Children of Bodom

# Coldplay

# Darker My Love

# Darkest Hour

# David Bowie

# Deep Purple

# Dire Straits

# Duran Duran

# Eagles Of Death Metal

# Elliott Smith

# Elton John

# Face to Face

# Garbage

# Gorillaz

# Gov't Mule

# Grand Funk Railroad

# Iggy Pop

# Iron Maiden

# Jeff Beck

# Jimmy Eat World

# John Mellencamp

# Johnny Cash

# Kaiser Chiefs

# King Crimson

# Kings Of Leon

# Kiss

# Love and Rockets

# Megadeth

# Motley Crue

# Muse

# My Morning Jacket

# Nirvana

# No Doubt

# Peter Frampton

# Public Enemy Featuring Zakk Wylde

# Queen & David Bowie

# Queens Of The Stone Age

# Rammstein

# Rose Hill Drive

# Rush

# Santana

# Scars On Broadway

# Screaming Trees

# Smashing Pumpkins

# Sonic Youth

# Spacehog

# Stevie Wonder

# Sublime

# Sunny Day Real Estate

# T. Rex

# The Bronx

# The Derek Trucks Band

# The Duke Spirit

# The Killers

# The Police

# The Raconteurs

# The Rolling Stones

# The Sword

# The White Stripes

# Thin Lizzy

# Thrice

# Tom Petty

# Tom Petty & The Heartbreakers

# TV On The Radio

# Vampire Weekend

# Weezer

# Wild Cherry

# Wolfmother


Apesar do time escolhido, no geral, ser muito mais ou menos (minha modesta opinião), e o game dos Beatles ser super bem feito, vai ser muito bom mesmo se sentir parte do Weezer, Love & Rockets ou T-Rex. Agora que ninguém me tira de casa :)

Publicado originalmente no O Globo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

The importance of being Elvis



Estou inteiramente convencido de que o êxito para que nós homens possamos ter uma vida sexual feliz está intimamente (e bota intimamente nisso) relacionado com o tipo de música que se escuta.

Dizem por exemplo que aqueles que ouvem jazz fazem sexo 34% a mais do que aqueles que ouvem música pop. Os que fazem sexo de má qualidade ou escutam música clássica ou serão ingleses, das duas uma está claro.

Por exemplo, o que dizer de gente que leva o coro dos eunucos da Suazilândia na cabeça durante a hora H? Ou a dança do acasalamento típica de algumas tribos de pigmeus da África Central?

Está claro que não pode dar certo e a frustração será grande, não é mesmo?

O segredo é muito simples: É preciso balançar a pélvis, como alguém que eu conheço muito bem disse outro dia.

E é por isso que quando estou na cama só uma coisa me vem a cabeça, me vejo num cenário havaiano, com um malibu na mão, camisa florida, evidentemente, e imagino que estou tocando air guitar que nem o rei. E não é que no final o rei sou eu.

Rei por rei meus caros, evitem o produto nacional (que não tem jogo de cintura posto que é côxo) e mirem-se no exemplo de Elvis, todos serão mais felizes, eu recomendo.

Singing: Shake it, shake it baby…

Para ouvir e treinar:


terça-feira, 2 de junho de 2009

Pin-up da semana


Fair play in the music industry

By Billy Bragg and Dave Rowntree

Google’s decision unilaterally to remove the music videos from their YouTube network in the UK as a fee-negotiating tactic in a dispute with the Performing Rights Society is a stark illustration of the power-shift that has gone on with the music industry over the past decade. By choosing to take on the PRS, a society that collects royalties for artists rather than record companies, Google is hoping to bring to heel the last remaining outpost of resistance to the idea that music on the internet should be free – the creators of that music, the artists themselves.

Digital technology is the best thing that has happened for performers and songwriters since Thomas Edison invented the phonograph and made it possible for us to earn a living from something other than live performance. Recent developments in audio technology have made it possible for anyone with a laptop and a connection not only to make their own music, but also to distribute it around the world.
The potential, particularly for new talent, is incredible.

Unfortunately for us artists, not everyone in the music industry shares this view. The major labels seem to see the internet as a threat, not just in their self-defeating attempts to criminalise our fans for sharing our music with others, but also in their determination to cling to the old way of doing things. Under the old business model, they took the lion’s share of the profits for doing the heavy-lifting of physical production and distribution of stock. Shamefully, some labels are still offering deals to new artists based on this notion. We live in a digital age but we’re stuck in an analogue music industry.

As long as artists allow the major labels to speak for the industry as a whole, this situation will not change. Later this year, Lord Carter will deliver his report to government (for details of his interim report, see here), setting out the framework for the development of digital technologies in Britain. He has invited interested parties to come and speak to him with their ideas. That is why we have chosen this moment to call on artists to come together to discuss issues, formulate ideas and ultimately speak with one united voice to the music industry, the internet service providers and to government at national and international levels.
We believe that the best way to ensure that we properly benefit from the new technology is for artists to assert their ownership and control of their rights. Only by coming together to speak with a single, powerful voice can we hope to unleash the full artistic potential of the internet, while ensuring that we get fairly paid for the content that we provide. Google’s dispute with the PRS makes this debate even more urgent. Their menacing attitude towards paying UK artists for content is a test case that will have ramifications around the world.

The Featured Artists’ Coalition, which launches in London on Wednesday March 10, is not a “pop stars’ union” – we already have the Musicians Union to represent everyone in our trade and we encourage our fellow featured artists to join the MU and uphold its rules. The FAC is a campaigning organisation that seeks to achieve fair remuneration in exchange for widespread access. Our target is not the music fan but the businesses that are making huge profits by exploiting artistic content for which they pay little or nothing at all.

Whether we like it or not, the old business model is broken and the decline in sales in the past few years has not been helped by the determination of the big labels to protect themselves at the expense of both artists and fans. Record shops have disappeared from our high streets and the big labels may go the same way, passing into the hands of asset strippers whose only interest is the bottom line. Yet, there is still clearly an audience out there for good music, and plenty of young musicians hoping to find them.

This is why we need to find our voice now – to ensure that the next generation of artists are able to earn a living in the new digital music industry that is busy being born.
Billy Bragg and Dave Rowntree are directors of the Featured Artists’ Coalition

This article was first published in the Guardian newspaper’s Comment is Free section.
For all "fings" bragg: http://www.billybragg.co.uk/
 

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