quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ser ou não ser


O que tem Manchester de especial que a converte em um berço de gente tão talentosa? Que os seus ares cinzentos e industriais fomentam a criatividade não há dúvidas, basta dar uma olhadela em alguns dos nomes mais famosos da cidade: Shelagh Delaney, Conan Doyle, Buzzcocks, The Smiths, The Stone Roses, Joy Division, The Fall, John Cooper Clarke, Pete Postlethwaite, Ben Kingsley, Ian McKellen, you name it, em qualquer campo, literatura, teatro ou música, tem gente do melhor pedigree.

Ontem fui precisamente ver o último filme de um de seus filhos de que mais gosto, Mike Leigh. O diretor de “Naked” nos propunha agora ser “Simplesmente Feliz” (Happy-go-lucky no original).

Difícil descrever a sensibilidade contida nesse filme, e com isso digo que a história de Poppy, a adorável professora primária do norte de Londres, tão brilhantemente interpretada por Sally Hawkins (que eu não conhecia e me apaixonei de imediato), me causou uma sensação de prazer imensa.

No filme, Poppy é de um otimismo à prova de balas e encara situações cotidianas, onde a bílis de qualquer mortal se revolveria no estômago com direito a impropérios de todo tipo, através de lentes cor de rosa e com um bom humor que realmente, a princípio, irrita.

'Ora bolas. Nem tive tempo de me despedir dela' - Exclama Poppy sorridente, ao notar que sua bicicleta havia sido roubada, logo no começo do filme. Será que escolhi o filme certo? Essa personagem está meio tatibitati demais - pensei.

Entretanto, com mão certeira, Mike Leigh vai aos poucos construindo mais uma história sobre o cotidiano de gente comum, interpretada com carinho por atores excelentes. O que tinha tudo para ser apenas uma comédia sentimentalóide, emociona e leva a reflexão sobre como queremos encarar a vida e o quanto estamos dispostos a tentar de verdade ser felizes.

Destaque para Scott, um show de interpretação de Eddie Marsan, que faz o contraponto ácido e amargo à personalidade aparentemente poliana de Poppy e que é responsável por diálogos desde já memoráveis.

Se é possível ser simplesmente feliz? O exercício não é fácil mas não custa tentar, estamos focados nisso.
En-ra-ha! En-ra-ha!

3 comentários:

Carolina disse...

Rodrigo, legal você ter falado desse filme. Eu não vi, mas me interessei imensamente quando vi a atriz ganhar o Globo de Ouro.

Acho que é de filmes, sentimentos e reflexões nesse sentido que o mundo está precisando, sabe... Quando você vai ao cinema pra ver um filme que causa essa impressão que causou em você, saímos da sala pessoas melhores, não acha?

Homem de Azul disse...

Certamente Carolina, nesse nosso mundo tão carente de bons valores, faz bem para o espírito uma história dessas. Isso sem contar que a personagem, Polly, é das mais charmosas e encantadoras que eu tive a oportunidade de ver no cinema em anos, a atriz dá uma aula de interpretação e já deixou a sua marca.

O negócio é mesmo ser positivo e encarar a vida de outro modo, dando valor ao que realmente importa, não perdendo tempo com bobagens e tentar ser feliz.

Carolina disse...

Exactly.
:)

 

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