terça-feira, 29 de dezembro de 2009

pin-up da semana


by guilherme de faria

Coração de Seda

Meu coração de seda
Está cheio de luzes,
Com sinos perdidos,
Com lírios e abelhas.
Irei bem longe,
Mais longe que aquelas colinas,
Mais longe que os mares,
Para perto das estrelas,
Para pedir ao Cristo nosso Senhor
Que me devolva a alma que tinha
Antigamente, quando era criança,
Amadurecida com lendas,
Com um boné emplumado
E uma espada de madeira.

--x--

Se ha llenado de luces

Mi corazón de seda,
De campanas perdidas,
De lirios y de abejas,
Y yo me iré muy lejos,
Más allá de esas sierras,

Más allá de los mares
Cerca de las estrellas,
Para pedirle a Cristo Señor que me devuelva
Mi alma antigua de niño,
Madura de leyendas,
Con el gorro de plumas
Y el sable de madera

Federico García Lorca

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Eno é o melhor amigo do homem


Deve ser a velhice, mas devo dizer que nesse Natal algo muito estranho aconteceu, aliás, estranho só não, assustador, o fato é que eu não agüento mais comer, estou arrependido inclusive dos dois míseros kibes que acabo de “almoçar”. Tudo o que eu desejo nesse exato momento é apenas uma boa cama.

Meninos, depois de 4 dias ininterruptos fazendo um tour de force para nenhum glutão botar defeito, eu não sei nem como ainda estou de pé. Tudo começou na quinta, claro, com inofensivos bolinhos de bacalhau e croquetes de carne antes da ceia, o sinal de que a coisa iria desandar aconteceu quando fui capturado, já meio bêbado, para entreter as crianças (ou isso é o que me disseram), cantando Wicked Game numa versão mais canastrona do que a original para o regozijo do meu publico mais fiel, a platéia de um homem só, que me acompanhava alegremente no violão e era o único que estava prestando realmente atenção (pensando bem isso até que não é tão ruim).

A partir daí foi um tal de pernil aqui, chester lá, peru acolá, acompanhado de vinhos, whiskys, gim, licores, cerveja, etc. e tal que ontem, antes de sair de casa para mais uma farra gastronômica, eu estava mesmo quase de mau humor diante da possibilidade de banquetear-me uma vez mais. Claro que é um doce sofrimento, mas é inegável que estou saciado até o ano que vem, e se alguém me propusesse um emprego de faquir em troca de uns caraminguás eu o aceitaria de bom grado no ato.

Para alguns o Natal é uma época de reconciliação, de devoção e de introspecção, para outros consumo desenfreado, este, para mim, ficará marcado pelo ritmo frenético das obrigações familiares e por ter me excedido em mais de uma ocasião, vocês sabem como é duro ser compulsivo.

Bom, se Noel realmente existe ele há de me perdoar e eu, como bom menino que no fundo sou, hei de merecer aquele livro do Bourdain - que o maldito correio insistiu em atrasar - ainda este ano e entrarei em 2010 pronto para outra e, ó gloria suprema, inclusive sem barriga! Entretanto, como a outra no caso será já na próxima quinta-feira, eu rezo ao bom pai para aguentar o tranco e enquanto o ano novo não chega... haja sal de fruta.

Burp!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

pin-up da semana


E um feliz Natal para todos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

quem tem medo da aracy?


hoje tem nova edição do arte araka no 00 da Gávea. vamos ver se dou mais sorte dessa vez, considerando que o meu debut foi no escuro devido ao apagão do mês passado. tudo muito romântico e climático mas ver exposição no breu é uma experiência sensorial, diria eu, um tanto extrema.
a boa notícia desta edição é que a querida ana kemper vai estrear na mostra de fotografia e, a julgar pela dedicação e qualidade das fotos, tenho certeza que irá fazer bonito. amanhã é seu aniversário, parabéns em dobro.
quem quiser comparecer já sabe, siga os detalhes do flyer.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

pin-up da semana


By Patrick Hitte

araponga

Sou um sujeito influenciável, quanto a isso não há a menor dúvida. Tampouco há problema, gosto dessa minha característica porque me permite agir de impulso e eventualmente conhecer lugares que talvez acabasse não conhecendo.

Semana passada, dando uma olhada pela internet, acabei indo parar em um site sobre a Lapa que recomendava uma série de botecos históricos e cheios de ambiance. Torci o nariz para alguns reconhecendo a excelência de outros, o fato é que na Lapa de hoje é preciso ter atenção para não comprar gato por lebre, uma vez que o local está mais para cidade cenográfica do que para o bairro decadente e saudavelmente boêmio de outros tempos, cuja fama persiste até hoje.

Com a partida das putas velhas e o fechamento de boa parte dos muquifos, a Lapa perdeu muito da sua graça e passou a abrigar bares que emulam, em minha opinião, a visão que os paulistanos têm da nossa boemia quando tentam reproduzir a aura dos nossos botequins. Nada contra os “botecos cariocas” de São Paulo, mas me parece um contra senso, estando na Lapa, imitar aqueles que nos imitam, e logo de forma tão asséptica.

E por falar em Paulista, enquanto dava uma olhada no site um dos bares recomendados me chamou a atenção, um bar que eu não conhecia, um bar chamado A Paulistinha.

Não pensei duas vezes, desci do escritório imediatamente e comecei a caminhar decidido, para almoçar como Deus manda e provar um dos melhores chopps da cidade, naquele tradicional reduto de bambas cantado em prosa e verso.

O A Paulistinha tem uma coisa a seu favor, não está na zona do burburinho próximo aos arcos, está localizado na Av. Gonçalves Freire, 27, mais ou menos detrás da Praça Tiradentes, portanto na fronteira com o centro velho da cidade, região que ainda preserva, sem maquiagem, o charme de outros tempos.

Da Cinelândia até lá era uma boa caminhada, mas eu ando rápido e cheguei lá num instante, enquanto admirava a beleza daquela região meio abandonada e que merecia um tratamento condizente com a sua importância.

Entretanto, devo confessar que todo o cenário que eu havia criado na minha cabeça se desfez de imediato ao chegar no local. O bar é, digamos, muito rústico. Na verdade, se parece muito com o botequim pé de chinelo que fica em frente da minha casa, que não possui qualquer atrativo e que é ponto de encontro de motoristas e fiscais de ônibus.

Se fosse outra ocasião eu até me sentaria e provaria o tão afamado chopp, acompanhado de um tira-gosto para ver se a decepção inicial seria recompensada, mas como já tinha gasto parte da minha hora de almoço no trajeto até ali, decidi continuar andando até achar algo parecido com o que eu tinha em mente.

Aquela região ente a Tiradentes e o saara, tão desprezada pela maioria dos mortais é muito interessante, tem um conjunto arquitetônico que mesmo estando em péssimo estado continua bonito, isso sim, desde que se saiba enfocar o olhar.

Assim que, já cansado de andar acabei parando naquela agradável esquina da Rua Luis de Camões com Gonçalves Ledo e me sentando no Araponga, um simpático boteco situado em um casarão colonial onde comi um prosaico fígado acebolado que estava divino, acompanhando de forma curiosa o vai e vem de pessoas, e que redimiu a minha frustração inicial. Incrível como o Centro da cidade conserva tantas nuances e tantos microcosmos dentro das suas quatro linhas.

Não é preciso ir ao Fasano para se comer bem, nem tampouco ir muito longe para termos uma experiência que faça bem a alma. Às vezes, basta despir-nos dos preconceitos e aventurar-nos um pouquinho, despidos de escudos, para sermos recompensados. Não nos esqueçamos que a felicidade, no final das contas, é um estado de espírito.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

New York, New York #1


I'm so free

oh it'such a perfect day

I'm glad I'm spending with you

ego will tear us apart

how long have you been dating Garfunkel?

for I know this night will kill me if I can't be with you

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

pin-up da semana


o choro é livre, o hexa e o Andrade são nossos!! Mengoooo!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ho ho ho

Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Reflexiono: o que nos resta

Ultimamente vocês notaram que eu, de vez em quando, venho mudando o tom deste blog e acabo adotando uma postura algo revoltada com a situação desta minha cidade querida, que vem sendo reiteradamente vilipendiada e tratada de forma abjeta por aqueles que deveriam bem representá-la.

A verdade é que já faz muito tempo que o Rio cantado em prosa e verso não existe mais, o barquinho de João Gilberto naufragou na lama que nos cobriu. Quando eu era pequeno era ainda uma lembrança próxima, podia-se sentir no ar o perfume de outros tempos. Hoje em dia, imaginar o glamour da Copacabana dos cinqüenta, a Ipanema romântica dos sessenta ou a elegância do Centro nos idos de trinta é tarefa que mais do que nostalgia só provoca tristeza ao se constatar o longo caminho ladeira abaixo imposto ao Rio de Janeiro e que parece estar longe de terminar.

Vou aqui tecendo esses superficiais comentários não porque cheguei outro dia da Europa e me desacostumei com a situação aqui em terras tupiniquins. O que me exaspera é reconhecer a nossa indolência, a nossa passividade diante dos fatos gravíssimos que estão ocorrendo nesta cidade sem uma reação efetiva da sua sociedade, senão vejamos:

Ontem suspeita de bomba no prédio da IBM em Botafogo, interditando a Av. Pasteur. Hoje, apenas hoje, duas bombas explodiram em plena luz do dia, uma na Borges de Medeiros na Lagoa e outra na Av. Atlântica durante uma perseguição policial a dois bandidos. Essa é a nossa realidade, agora bombas são o feijão com arroz dos nossos dias e eu que me considero um liberal me pego tendo pensamentos algo retrógrados e ansiando por uma intervenção federal, tal é o meu descrédito na corja imoral que faz essa política para inglês ver e nessa sociedade apática e desarticulada.

Poderia narrar aqui mais um ou dois fatos ocorridos hoje e que me enchem de vergonha mas não, me calo e vou para o bar beber o meu choppinho, que é isso o que sabemos fazer de melhor.
 

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