quarta-feira, 17 de junho de 2009

pra espanhol ver ou ¡me cago en la leche!


RIO - Em entrevista ao jornal espanhol "El País", publicada na edição desta terça-feira, o prefeito do Rio Eduardo Paes disse que a violência no município chegou a níveis elevados porque existe uma visão romântica do crime na cidade.

- Com todo respeito, imagino que também existe muita gente que consome cocaína e maconha em Madri, Barcelona ou Nova York. Se em todas as cidades se consome, por que chegamos a esta situação de violência? Porque aqui tem existido uma visão romântica do crime, em que os traficantes têm atuado nos lugares pobres assumindo um papel de Robin Hood, vendendo cocaína aos ricos para ajudar aos pobres. Houve muita permissividade e, quando nos demos conta, tínhamos perdido a soberania e o controle territorial destas áreas - disse Paes.

O jornal perguntou a Paes, que é a favor da construção de ecolimites nas favelas cariocas, feita pelo governo estadual, se não haveria a alternativa de fazer monitoramento aéreo no lugar das barreiras. O prefeito disse que a medida já foi tomada, mas não foi eficaz.

- A discussão tem um lado muito simbólico. Se eu sou estrangeiro, não conheço a realidade do Rio e fico sabendo que estão levantando muros para cercar as favelas, imagino algo completamente diferente da realidade - afirmou o prefeito.
Para Paes, os moradores não vêem a construção dos muros como uma imposição do governo:

- Às vezes, é preciso tomar decisões e cada caso é diferente. Há situações que se trata de reflorestamento, outras (comunidades) precisam de limites físicos e outras mais críticas precisam de muros. Algumas vezes, provocamos uma tempestade em copo d'água. Ninguém está cercando ninguém com este projeto.

Choque de ordem

O prefeito explicou ao jornal espanhol porque resolveu fazer o choque de ordem e, mais uma vez, disse que há uma visão romântica do crime. Para ele, a cidade perdeu o protagonismo econômico por conta dos problemas relacionados à desordem urbana.

- O Rio, como todas as grandes cidades do mundo, tem problemas de segurança pública, mas, no nosso caso, o problema foi multiplicado por culpa de uma certa conivência (das autoridades), por uma visão romântica do crime - explicou.

- your real blue opinion -

É tanto o romantismo que nos cerca que vou até comprar um arco e flecha e participar do mutirão pela solidariedade promovido pelos nossos traficantes nessa bucólica Sherwood carioca. Com representantes e comentários assim, o nosso Rio vai descendo mais um degrau rumo ao descaso e à baderna institucionalizada e virando motivo de chacota mundo a fora. O que não foi dito é que em uma cidade onde os limites entre o poder público e a marginalia não só convivem, muito bem obrigado, como se interpenetram e confundem e onde o compromisso com esta inexiste, há muitas décadas, o panorama social não poderia ser outro. Não existem incentivos à educação, a omissão grassa, as medidas de segurança são apenas reativas e o poder público, bem....deixa pra lá.

¿Será cabrón?
Originalmente publicado no: O Globo (17/06/2009)

2 comentários:

Não, não tenho blog disse...

Imbecil... é o reino da esculhambação.
Bacio

Homem de Azul disse...

pois é, pois é. cristo redentor pranto aberto sobre a guanabara.

bacio mile.

 

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