sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Lipstick with an attitude


Meus amigos (os de sempre) já haviam avisado, entre risadinhas pícaras, vá ver porque é a sua cara!

A essa altura todo mundo já sabe que eu estou completamente desatualizado musicalmente, foi-se aquela época do indie pretensioso que sabia de cor as novidades da semana no underground de Manchester. E confesso que estou bem mais feliz assim, escutando Mika em casa com a minha mulher e eventualmente fazendo uma performance a la Freddie Mercury ou Morrissey para o delírio da mesma.

Com esse retrospecto a meu favor e sendo um ardoroso fã de Marc Bolan e dos New York Dolls, está claro que eu tinha tudo para gostar de uma banda de rock carioca, que tem Copa como musa e cujo vocalista é adepto de glitter, boás de plumas e couro, não necessariamente nessa ordem. Porém, confesso que nada me havia preparado para o show de ontem à noite na Drinkeria Maldita, o Cabaret é muito mais do que uma boa banda, é diversão pura!

A banda Cabaret já é conhecida de muitos e tem tempo de estrada, mas, devo dizer, o seu fã numero 1 ainda não a conhecia. Como é possível isso? Muito tempo fora do país sem ler a coluna do Tom Leão talvez seja o x da questão.

O fato é que esta semana mais um caríssimo amigo do peito Europeu me deu o prazer da sua companhia aqui no Rio (que mês bom esse) e, por sugestão da minha mulher, acabamos todos indo parar na Maldita para conferir essa figura lendária chamada Márvio dos Anjos e sua banda.

O talento pelo visto vem de família, Márvio é poeta, jornalista, compositor e sobrinho-bisneto de Augusto dos Anjos. No entanto, a sua qualidade maior é a de performer. Não me lembro de ter visto alguém tão à vontade no papel de entertainer em terras tupiniquins em muito tempo, na verdade, antes dele não há ninguém. Márvio é o filho bastardo de Ney e Freddie Mercury e brande o estandarte de uma diversão fanfarrona, exuberante, dramática e contagiante.

Apesar da banda ser excelente, com destaque para o guitarrista Felipe Aranha, é Márvio que dá o tom, que entorna o caldo, que chuta o balde e que faz a diferença ao encarnar 100% o personagem e cantar de peito aberto letras que ficam entre o melodrama mais absoluto e a canalhice assumida: “Pode ser que nada disso / Nunca justifique o mal / De fazer do amor um vício / Por milagre na horizontal”.

O drama à espreita, nas entrelinhas de amores desbotados, rupturas em quartos de hotéis baratos, bebedeira, desespero, rancor e desolação. Escolha a imagem que mais lhe agradar para adornar a atmosfera das letras hilárias e que parecem flagelar o vocalista ao longo do show. E pensar que eu gastei anos em análise...
A cada música me era impossível esconder a surpresa e o entusiasmo pela sonoridade e pelo talento posto ali na minha frente, até o Norueguês do meu lado estava em chamas (o fato é que a gente tinha que se controlar que senão pegava mal). Parecia mesmo que estávamos em um cabaret, com Jacques Brel à frente chorando pitangas e cantando “Ne me quites pas”. A diferença é que o pano de fundo é o melhor rock and roll e a atitude é despretensiosa, caricatural e muito, muito divertida. E quando a banda está se divertindo meus caros, é impossível que a coisa não dê certo, é como uma onda que se espalha e contagia todo o ambiente.

Acho que no fundo a minha porção ator ficou foi com inveja de ver o cara no palco desfrutando do momento de forma zombeteira e despudorada, confesso que foi impossível não me identificar, eu queria estar ali.

Odair José, Agnaldo Timóteo e David Bowie estão orgulhosos de vocês rapazes, tenho certeza, e nós saímos dali em êxtase, e o que é melhor, felizes e com a certeza de que vimos um grande show.
Morri beijos baby, now give me a kiss!

2 comentários:

narghee-la disse...

entendeu o pânico da flavia quando roubaram o glitter dela? não dá pra ser feliz sem brilho nem drama!
encosto-de-chacrete way of life, yeah!

bloke in blue disse...

absobloodylutely!

acho que depois do belo exemplo de ontem, pelo menos no carnaval, vai ter que rolar uma maquiagem. rsrsrs.

 

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