segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Rei da Noite


Hoje de manhã lendo a crônica O Rei da Noite, do João Ubaldo Ribeiro, foi impossível não me lembrar da noite do reveillón.

Ganhei o livro, diga-se de passagem, em um festivo amigo oculto de fim de ano, poucos dias antes, sob piadinhas de que o título seria uma alegoria à minha pessoa. Nada mais equivocado, se tem uma coisa que eu nunca fui é precisamente o rei da noite, até porque, apesar de bom bebedor não sou notívago e muito menos sociável.

Piadas à parte, o texto, delicioso, trata dos tempos em que o escritor era um boêmio inveterado e especificamente sobre o dia seguinte ao de uma festa daquelas, em que ele, entre a culpa e a surpresa, tenta se lembrar da noite, sendo prontamente corrigido pela mulher quanto ao relato cronológico dos fatos, numa sucessão de Ohs!

A identificação não veio só pelo fato do Ubaldo escrever inspirado nas próprias vivências, mas principalmente porque a noite de fim de ano, como qualquer festa pagã que se preze, foi uma noite de verdadeira e salutar carraspana entre amigos.

E que, neste pequeno círculo em particular, ali sim sou o rei da troça, um ser burlesco sempre pronto a cooperar quando se trata de fazer rir a plebe, com o relato das venturas e desventuras desse verdadeiro Dom Quixote contemporâneo que por vezes sou. Sejam elas reais ou não, o fato é que a fórmula é sempre bem-sucedida.

Não sei, mas ultimamente me preocupa a interferência da persona sobre o indivíduo, sobre quais manifestações seriam genuínas e quais seriam mero artifício cênico. E o mais grave, será que o hábito está de fato a formar o monge? Ou devo dizer deformar?

Peço desculpas por tais digressões Excelências, mas de alguma maneira me senti assim como a personagem da crônica, entre a culpa e a surpresa, sem grandes motivos para isso e, no entanto, não pude evitar. Talvez precise de novos ares, talvez interpretar uma nova peça, talvez apenas beber menos.

- Nunca mais eu saio, nunca mais boto os pés fora de casa, nunca mais entro num bar, nunca mais!

- Sim, querido. Mas não sei por quê. Todo mundo acha você o rei da noite, querido.

E era primeiro de janeiro, não primeiro de abril.

4 comentários:

ana k. disse...

rodrigo,
promessas de dia primeiro de janeiro são tão ou mais falsas que as verdades do primeiro de abril, hehe.
bjs

Homem de Azul disse...

Ai!

ana k. disse...

amei a foto!

Homem de Azul disse...

é boa né!? Vou mandar instalar uma dessas com a minha cara na pia de casa. Vai ter um efeito devastador em dias de ressaca.

Melhor só a sua.

Beijo. ;)

 

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