quarta-feira, 4 de março de 2009

Curiosidades musicais

Lançado no princípio de 1987, The World Won't Listen é, mais uma, das muitas coletâneas dos Smiths.

Me lembro exatamente do dia em que, nervoso, fui comprá-lo no Centro Comercial Copacabana na loja Disco do Dia que, infelizmente, não existe mais e que era charmosérrima (as suas bolsas de papel para embalar os discos eram autenticamente retrô).

Acredito que uma das razões para que existam tantas coletâneas dos Smiths, se deva ao fato de que eles sempre trataram cada single como uma entidade única e com a mesma importância e cuidado atribuídos à um long play. Antes de qualquer outra coisa eles sempre priorizaram o formato dos "singles" e transformaram cada um dos seus em arte pura, tanto conceitual como musicalmente.

Não sei se existe outro grupo que tenha lançado tantos singles quanto os Smiths no mesmo período de tempo, o que sim sei é que eles eram inegavelmente uma banda das mais prolíficas nesse quesito. Daí a necessidade de a posteriori lançar coletâneas e permitir ao público a aquisição do canon unificado.

O álbum possui uma das suas capas mais bonitas, uma imagem de rockers dos anos 50 extraída do livro "Rock'n'Roll Times", de Jürgen Vollmer, que entre outras coisas fotografou Stu Stucliffe, o Beatle menos conhecido. A foto é um instantâneo que capta bem a atmosfera de um banheiro masculino da época, todos ali ajeitando seus topetes e dando aquele retoque final antes de chamar o "broto" pra dançar. Com um pouco de imaginação dá até pra ouvir Bobby Fuller Four ou Bill Haley & His Comets no fundo, o salão cheio de pin-ups em vestidos rodados....(suspiro).

Esta foto é a versão original utilizada no formato LP (ai que saudades). Posteriormente, heresia das heresias, os CDs e cassetes foram presenteados com uma horrenda versão cortada da mesma foto, um close da bochechuda figura central que solapou completamente com a beleza da imagem. E não há explicação que me convença da necessidade de se arruinar uma capa dessa maneira, de longe a adaptação para CD que mais me dá raiva.

Outra fotografia do mesmo livro, desta vez de 4 meninas, foi utilizada para a parte de trás do álbum. E a fina ironia é que as 4 meninas estranhamente se parecem com os próprios Smiths (respectivamente com Joyce, Rourke, Marr e Morrissey). Como eu não acredito em coincidências...cheguem às suas próprias conclusões.

Uma curiosidade é que a versão de Stretch Out and Wait incluída no CD é a versão lançada em outra coletânea "Louder Than Bombs", diferindo ligeiramente da versão original que constava no LP. A diferença básica é que na original o primeiro verso é "All the lies that you make up" e na segunda muda para "On the high-rise estate". Musicalmente falando, prefiro tudo como estava na versão original, que é mais bonita.

De todas as formas, é sem dúvidas uma bela coletânea que captura bem os Smiths por volta da era Queen is Dead, quando a perfeição parecia não ter limites nem data para acabar.

Songs that saved my life: Rubber Ring, Asleep, You Just Haven't Earned It Yet, Baby, Shoplifters Of The World Unite e Oscillate Wildly.

http://www.vulgarpicture.com/s_all.html (Iconografia de uma era)



4 comentários:

Amèlie disse...

Maravilha!!!

Adoro esse saudosismo!

Puxa vida, algumas coisas DEVERIAM ser colocadas em cápsulas do tempo, permancendo intactas por milhões de anos!


Beijos!

Homem de Azul disse...

Pois é Amèlie, eu sou mesmo saudosista e concordo com você em gênero, número e grau.

Hoje em dia tudo parece estar cada vez mais vulgar e sem charme mas, pelo menos nesse blog, com uma audiência dessas o encanto está garantido. ;)

Beijos.

Nicolau disse...

Cara, você tocou no ponto: The Smiths. A banda. Mermão, é a única banda que eu, no fundo, idolatro. Até hoje tenho comigo o vinil do Rank, um dos raríssimos LPs ao vivo deles. Putz, sensacional. Ótimo post.

Homem de Azul disse...

Nicolau, influência fundamental na minha formação e sem sombra de dúvidas uma banda que deixou muitas saudades.

Para ouvir sempre.

Abs.

 

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