sexta-feira, 7 de agosto de 2009

cervantes: catalão e gay?


Notícia bizarra do dia: Miguel de Cervantes, o expoente máximo da literatura espanhola, autor do considerado por muitos o primeiro romance moderno, tido como o arquétipo do castelhano até o osso... teria sido catalão e gay. A afirmação está no livro 'Gais i lesbianes de la història de Catalunya', do jornalista Albert Torras, e, é lógico, está causando um certo burburinho.

Torras reúne no livro 50 figuras nascidas (ou vividas) na Catalunha, importantes por seus feitos e homossexuais declarados (ou não). Tem do imperador Adriano (que viveu em Tarragona no século II) ao escritor Terenci Moix (que morreu em Barcelona em 2003). E tem Miquel de Cervantes - ou melhor, Miquel Cervent!

Segundo o jornalista, Cervent virou Cervantes por um "complô castelhano". A família de Miquel Cervent Saavedra teria sido uma das mais importantes locais no começo do século XVI, lutava contra os castelhanos e... o Quixote foi escrito com pena catalã!

A teoria é apoiada nos escritos de dois estudiosos, Jordi Bilbeny (que também defende que Colombo era catalão... ihhh...) e Daniel Eisenberg.

Sobre a homossexualidade, Torras se baseia na especulação de que Cervantes ficou preso na Argélia acusado de sodomia. Entretanto, como qualquer um era acusado de qualquer coisa e feito escravo se reclamasse, o próprio autor reconhece que é uma "teoria (ainda, quem sabe) frágil".

Mas... quem foi Cervantes realmente?

Seja Cervent ou Cervantes, o fato é que o escritor e poeta não tem as origens exatas. A história oficial (leia-se wikipédia) diz que ele teria nascido em Alcalá de Henares. Filho de uma família importante, pai médico. E que criança se mudou para Valladolid. Depois foi parar na Itália. Virou escravo. Virou prisioneiro na Argélia. E que no meio disso tudo escreveu o maior romance em língua espanhola de todos os tempos
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Originalmente

--x--

ai déu meu, ara fins e tot cervantes és català!! miquel cervent é demais.
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daqui a pouco, do jeito que a coisa vai, vou acabar descobrindo que até eu tenho sangue catalão (que tal Rodri Caiubet?). afinal de contas, como se sabe, o centro do mundo é a catalunya, berço da cultura mediterrânea na qual todas as demais se espelham.
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para os que não estão familiarizados com a ego trip catalã (que não tem limites), esclareço que o livro de torras deve ser considerado no mínimo suspeito (claro, com trocadilho) e digo isso abalizado por quase cinco anos de convívio com o simpático povo catalão.
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o ódio ao "inimigo" castellano é tanto e o orgulho "nacional" e a mania de perseguição tamanhos, que não seria demais supor que trata-se de mera inversão dos fatos, através da absorção de um dos símbolos pátrios mais caros, sob a égide da cultura catalã como forma de reafirmar a identidade cultural e a sua supremacia em relação à cultura castellana. afinal, a espanha deve tudo o que tem aos catalães, ou so they say.
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não estou bem certo, entretanto, se será vantagem para a catalunya ser reconhecida como a terra de cervantes no contexto pretendido.
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se é bem verdade que existem muitos gays na catalunya, nem todo catalão é gay.
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¿me entiendes?

2 comentários:

ematejoca disse...

Uma das coisas que me atraíu no teu
blogue é tu seres o "homem azul" - eu sou louca pela cor azul!
Completamente louca!!!
"ematejoca azul" é como se chama o meu blogue para os/as leitores/as de Língua Portuguesa!

Que importa, se o Cervantes era homosexual??? O seu Don Quixote é fantástico e isso é que importa.
O Shakespeare também o era! E ambos nasceram no mesmo dia!

Levei o teu link, homem azul, pois gostei deste blogue!

Homem de Azul disse...

claro que não tem importância ematejoca, a sua obra é genial.

ah sim, o azul, é uma longa história, mas confesso que hoje em dia nenhuma outra cor me identificaria melhor.

vou linkar-te também. seja bem-vinda e apareça sempre que quiser.

acima de Eça, ninguém! ;)

 

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